Alala - parte 1


Diferentemente das garotas de tua idade de seus seis anos, Alala, filha de pais separados, mora com avós maternos e tios. A região em que vive, é no interior. Alala não s mistura. Embora bastante esperta e inteligente, não tem amigos. Qual criança nessa idade não tem amigos?
Alala não brinca como as outras garotas. Não gosta de bonecas ou brincar de casinha. Prefere se perder nas histórias dos livros que lê ou conversar com seus avós sobre os tempos antigos e sua cultura. Essa é a garota que todos veem que todos sabem.



O que os professores, familiares não sabiam é que, quase todos os dias, até seus oito anos(quando decidiu sair do interior), falos entravam e saiam de dentro si, com força, visceralmente. Levando tua feminidade, inocência, orgulho.  Alala tinha nojo de si mesma, se condenava, martirizava.
Seus pais se separam quando ela tinha quatro anos, em meio há muitas brigas e ameaças, a mãe conseguiu a guarda e ela foi morar com seus avós, enquanto tua mãe trabalhava na cidade grande para lhe sustentar. Os pais de Alala a amavam e a amam. Mas eles a desconhecem.
Hoje, Alala tem aproximadamente duas décadas de vida. Ou melhor, de existência. O fantasma que ela carrega consigo não a deixa viver. Alala é uma mulher reservada, mas amiga. Alala é conhecida como arrogante, metida, marrenta. Ela não tem amigos. Ela não tem amores.
Ela desconhece o prazer sexual. Não dorme, não ama, não se apaixona. Não é mulher.


Alala é só mais uma...

Mais uma negra, mais uma mulher, mais uma pobre, mais uma brasileira.

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