epigrama nº 11

Aqui me encontro em frente a página ainda em branco...

Me sinto como qualquer pessoa que depende do transporte coletivo neste país em relação aos meus sentimentos: fico momentos intermináveis a espera daquele que me leve ao tão desejado objetivo -ou, dependendo da intensidade desse desejo, qualquer um que me deixe mais perto possível- e, quando finalmente vem, a "parada" esta cheia de" conduções" que não me interessam, e a "linha" desejada acaba passando longe, sem notar que dei sinal para que parasse. 

Um naco de desespero me sobe e imagino que talvez seja um sinal divino: não era pra ser! Mas daí, recordo-me que também é divino tentar-te...

Novamente perco-me... Agora, esta tudo vindo a mim...
Mas não quero ir a lugar algum. Desejo apenas ficar aqui, olhando toda essa imensidão de coisa alguma indo a lugar algum para fazer nada.

A página permanece em branco... 
Mas as paredes de minha mente estão rabiscadas... 
E eu não sei o que é.

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