Por baixo dessa pele NEGRA, há uma mulher que se destaca das
demais pelo simples fato de não fechar os olhos para a hipocrisia que a rodeia.
Essa mulher, hoje, em pleno século XXI, residindo e
sobrevivendo na capital federal da sexta maior economia mundial, se viu
humilhada, desrespeitada, vulnerável, e deslocada.
Na data de primeiro de outubro de dois mil e doze, essa que
os escreve, resolveu sair de casa trajando uma sapatilha artesanal, uma legging
preta, uma camisa de botão quadriculada, um lenço vermelho na cabeça, unhas e
boca vermelhas. Normal e até estereotipado, já que é típico de minha raça e de
minha naturalidade BAIANA.
Pois bem, para sua incredulidade e até mesmo, tua inocência,
além dos olhares comuns de reprovação e risinhos/comentários maldosos, hoje foi
o limite. Num local, tido como o centro do poder brasileiro, de pessoas de “alto
nível”, ela foi obrigada a ouvir: “você por acaso esta indo bater tambor, fazer
macumba?” . Bem, e se eu estivesse indo? Qual é o problema? Quer dizer que não
posso me vestir assim? E isso, é porque eu não estava vestida de branco! Agora,
se fosse uma pessoa “não da cor” (como eles mesmo dizem), seria style, normal,
chique! Por favor, isso é preconceito!
E para fuder ainda mais, quem estava ao teu lado, para te
defender/proteger e reprová-la, não fez porra nenhuma porque também não passa
de um falso moralista e um preconceituoso. PORRA! E ainda vem a mim dizendo que
eu quem sou preconceituosa e racista!
Desculpem-me pelo desabafo, mas não sei quais palavras
poderei usar para transmitir como me sinto agora... A única coisa que posso lhe
dizer é que me sinto alheia a tudo e a todos. Cheguei ao meu limite de tolerância
para co aqueles de mente pequena.
Um grito de dor, desespero, repulsa e revolta percorre por
cada átomo de meu corpo. Meus olhos ardem.

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