foz




 Como as águas de um rio furioso, vou abrindo caminho, levando tudo a minha volta.
Aqueles que vem a mim com sede, sacio-lhes com minha saliva. Alguns morrem envenenados, outros acompanham-me pela margem. E ainda há aqueles que se juntam a mim.
Em algums momentos, sou tão calma como a nascente, com água pura e cristalina. E é justo neste momento que os fracos, sabendo do quão poderoza é minha foz, tentam fechar-me, jogando a minha volta seus lixos emocionais, desilusões, mesquinhez. Arrancam-me meus sonhos, meu solo se torna fraco. Mas a terra é minha amiga, permite que eu renasça num outro local, ainda mais verde, num solo ainda mais forte, com seres que vão cuidar de mim até que eu me torne forte novamente.
 E eu vou seguindo de encontro ao mar, levando vida a quem precisa, ora afogo um meu leito, ora dou-lhe prazer, refresco, calmaria. Ora, sou cristalina e profunda, ora sombria e rasa. Ora sou chuva que fertiliza a terra, ora sou as lágrimas que secam em teu rosto.

 

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